Oportunidades profissionais para brasileiros em Portugal: estudar, trabalhar online e criar algo novo

Publicado a

Rua da LX Factory, em Lisboa, com pessoas a passear entre lojas e esplanadas
Foto: Andrzej Otrębski / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Para construir carreira em Portugal a longo prazo, há três caminhos que se complementam: subir dentro de um setor com procura, estudar à noite ou a distância sem largar o emprego, e trabalhar online ou criar o próprio negócio. Muitos brasileiros começam em funções abaixo da sua formação; quem combina estes caminhos costuma sair dessa fase mais depressa.

Setores com procura

Há vários anos que estes setores têm dificuldade em contratar em Portugal:

  • Tecnologia: programação, dados, cibersegurança, suporte técnico. Muitas empresas trabalham em inglês e aceitam trabalho remoto ou híbrido.
  • Saúde e cuidados: enfermagem, cuidados a idosos, fisioterapia (com reconhecimento obrigatório da formação).
  • Turismo e restauração: hotelaria, cozinha, atendimento, sobretudo em Lisboa, no Porto e no Algarve.
  • Construção e manutenção: eletricistas, canalizadores, técnicos de climatização.
  • Atendimento multilingue: centros de contacto que servem o Brasil, outros países lusófonos e clientes internacionais.

Estudar sem deixar de trabalhar

  • Cursos pós-laborais: vários politécnicos e universidades têm licenciaturas e mestrados com aulas ao fim do dia, como o Politécnico do Porto e o ISCTE, em Lisboa. Confirme no site de cada instituição quais cursos têm esta opção, porque muda de ano para ano.
  • Ensino a distância: a Universidade Aberta é pública e funciona sobretudo online, com licenciaturas e mestrados pensados para quem trabalha.
  • CTeSP: cursos técnicos de dois anos nos politécnicos, práticos e com estágio, que podem dar acesso a uma licenciatura.
  • Formações curtas certificadas: o IEFP e os Centros Qualifica têm módulos de 25 a 50 horas que contam no currículo.

Reconhecer o diploma

Um diploma superior brasileiro pode ser reconhecido em Portugal; a informação oficial está no site da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES). Para medicina, enfermagem, engenharia, advocacia e outras profissões regulamentadas é também preciso inscrição na ordem profissional respetiva. Comece cedo: o processo pode demorar meses.

O mercado online

Portugal tem boa internet, fuso horário próximo do resto da Europa e custos mais baixos do que a média europeia. Isso abre portas que muitos não aproveitam:

  • Trabalho remoto para fora: empresas europeias e internacionais contratam a partir de Portugal, sobretudo em tecnologia, design, marketing e apoio ao cliente.
  • Serviços digitais para o Brasil: quem já tinha clientes no Brasil pode continuar a servi-los daqui, aproveitando o fuso horário (a manhã em Portugal é a madrugada no Brasil, o que dá para entregar trabalho «durante a noite»).
  • Venda online: lojas próprias ou marketplaces portugueses e europeus permitem vender para toda a União Europeia a partir de Portugal.
  • Conteúdo e ensino: cursos online, aulas e consultoria na sua área, para públicos dos dois lados do Atlântico.

Trazer do Brasil o que ainda falta cá (sem cair no óbvio)

Açaí, coxinha e rodízio já existem em todas as cidades. A criatividade brasileira rende mais quando se olha para hábitos e serviços que no Brasil são normais e em Portugal ainda são raros ou mal resolvidos. Algumas pistas para pensar:

  • Serviços ao domicílio marcados pelo WhatsApp: no Brasil é normal marcar manicure, cabeleireiro, lavagem de carro ou pequenas reparações por mensagem, com resposta rápida. Em muitas zonas de Portugal este tipo de serviço ágil ainda é difícil de encontrar.
  • Organização de casas e mudanças: a profissão de personal organizer é muito popular no Brasil e ainda pouco conhecida em Portugal, onde há muitas mudanças de casa e casas pequenas.
  • Festas e eventos com produção cuidada: festas infantis temáticas, decoração e pequenos eventos montados «de ponta a ponta», com o nível de detalhe que se vê no Brasil.
  • Comida do dia a dia, não de festa: em vez de mais um restaurante, refeições semanais preparadas (as «marmitas») para quem trabalha e não tem tempo de cozinhar.
  • Atendimento que resolve à primeira: em qualquer área, oferecer o que os clientes brasileiros esperam por hábito (respostas rápidas, flexibilidade de horário, simpatia) já é uma vantagem competitiva.

O ponto de partida não é o produto, é o incómodo: o que lhe faz falta no dia a dia em Portugal? Se lhe faz falta a si, provavelmente faz falta a mais gente. Teste em pequeno, com poucos clientes, antes de investir.

Trabalhar por conta própria

Para começar sozinho, o mais comum é ser trabalhador independente, passando faturas-recibo (os chamados «recibos verdes»), depois de abrir atividade no Portal das Finanças. Para negócios maiores, pode criar-se uma empresa. Em ambos os casos há obrigações fiscais e de Segurança Social, e algumas atividades (comida, estética, cuidados) precisam de licenças próprias: fale com um contabilista certificado antes de começar. Para projetos com ambição de crescer, os programas da Startup Portugal e as incubadoras das universidades são um bom ponto de partida.

Dicas práticas

  • Adapte o currículo ao formato português: uma ou duas páginas, com datas e funções claras.
  • Use o LinkedIn: é muito usado por recrutadores em Portugal.
  • Invista no inglês e na escrita em português europeu: fazem diferença em entrevistas e emails.

Resumo

Escolha um setor com procura, estude à noite ou a distância, trate do reconhecimento do diploma e aproveite o mercado online. Se pensar em negócio próprio, procure o que faz falta no dia a dia português, em vez de repetir o que já existe em todas as esquinas.

Algo não bate certo na sua região? Diga-nos.

Guias relacionados