10 erros que denunciam um brasileiro a falar em Portugal (e como evitá-los)

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Praça do Rossio, em Lisboa, com árvores, a coluna de D. Pedro IV ao fundo e carros a passar
Foto: Simon Burchell / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Falar à brasileira em Portugal não é errado: todos percebem, e o sotaque é parte de quem é. Mas há hábitos que soam estranhos aos ouvidos portugueses e que, em entrevistas de emprego, reuniões ou serviços, vale a pena ajustar. Estes são os dez mais comuns.

1. O gerúndio

É o sinal mais evidente. Em Portugal usa-se «estar a + infinitivo».

  • Brasil: «Estou fazendo o jantar.»
  • Portugal: «Estou a fazer o jantar.»

2. O pronome antes do verbo

No início da frase, em Portugal o pronome vem depois do verbo.

  • Brasil: «Me dá o sal?»
  • Portugal: «Dá-me o sal?»

3. «Você» dito diretamente

Pode soar frio ou até mal-educado. Use «tu» com amigos, «o senhor» ou «a senhora» com pessoas mais velhas, ou simplesmente o verbo: «Pode ajudar-me?».

4. «Pegar» o autocarro

Em Portugal apanha-se o autocarro, o comboio, um táxi e até uma constipação. «Pegar» existe, mas usa-se para segurar coisas.

5. «Ir no» lugar

  • Brasil: «Vou no supermercado.»
  • Portugal: «Vou ao supermercado.»

6. «Ter» no lugar de «haver»

  • Brasil: «Tem um café ali na esquina.»
  • Portugal: «Há um café ali na esquina.»

7. «A gente» em vez de «nós»

«A gente» também se usa em Portugal, mas muito menos. O mais natural é «nós vamos», «nós achamos».

8. Cumprimentos e despedidas

  • «Oi» soa muito brasileiro: em Portugal diz-se «olá».
  • «Tchau» percebe-se, mas o mais comum é «adeus», «até logo» ou «xau».
  • «Tá bom» no fim de uma conversa é «está bem» ou simplesmente «pronto».

9. Palavras do dia a dia

Banheiro é casa de banho, legal é fixe, celular é telemóvel, ônibus é autocarro. São as palavras que mais denunciam quem acabou de chegar.

10. «Tomar café da manhã»

Em Portugal toma-se o pequeno-almoço. E «tomar um café» é sempre um expresso curto.

Vale a pena mudar?

Depende do contexto. Com amigos, o português do Brasil é perfeitamente bem-vindo. Em situações formais, ajustar estes dez pontos faz com que o foco fique no que diz, e não em como diz.

Resumo

Troque o gerúndio por «estar a», ponha o pronome depois do verbo, evite «você», apanhe o autocarro, vá «ao» supermercado e diga «há» em vez de «tem». Com isto, a maioria dos portugueses deixa de notar as diferenças.

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