Os sotaques de Portugal: do Norte aos Açores, como se fala em cada região

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Lagoa das Furnas, na ilha de São Miguel, nos Açores, rodeada de montes verdes
Foto: José Luís Ávila Silveira e Pedro Noronha e Costa / Wikimedia Commons (domínio público)

Portugal é pequeno, mas tem sotaques muito diferentes. Quem chega do Brasil costuma aprender o português de Lisboa, que aparece na televisão, e depois apanha um susto no Porto, no Alentejo ou nos Açores. Perceber as principais diferenças ajuda a não se perder e a não confundir sotaque com falta de educação.

Lisboa e o centro do país

É a pronúncia que mais se ouve na televisão e na rádio. As vogais sem acento quase desaparecem: «telefone» pode soar quase como «tlfone». Para ouvidos brasileiros, é a principal razão por que o português de Portugal parece rápido e «fechado».

O Norte

  • O traço mais conhecido é trocar o v pelo b: «binho» por «vinho», «bamos» por «vamos».
  • Algumas vogais e ditongos soam mais abertos e cantados, como em «pão» ou «cão».
  • O Porto tem o seu próprio vocabulário: a imperial é um fino, o café é um cimbalino, e trata-se toda a gente com muita familiaridade.

O Alentejo

  • A fala é mais pausada e arrastada.
  • É a região onde mais se ouve o gerúndio, como no Brasil: «estou fazendo» em vez de «estou a fazer».

O Algarve

As vogais podem soar diferentes das de Lisboa, e há vocabulário regional próprio. Nas zonas turísticas, a mistura de línguas também se nota.

Os Açores

O sotaque de São Miguel é dos mais difíceis de perceber, mesmo para portugueses do continente: tem vogais muito particulares e uma melodia própria, herdada em parte dos primeiros povoadores. Nas outras ilhas a fala é diferente e, em muitos casos, mais próxima do continente.

A Madeira

O sotaque madeirense é cantado, com vogais e entoação próprias, e algum vocabulário que não se ouve no continente.

Dicas para não se perder

  • Peça para repetir sem vergonha: «Desculpe, pode repetir mais devagar?».
  • Os sotaques não indicam nível de educação: são só formas de falar.
  • Quanto mais tempo passar numa região, mais depressa o ouvido se habitua.

Resumo

Lisboa engole as vogais, o Norte troca o v pelo b, o Alentejo usa o gerúndio como o Brasil, e os Açores, sobretudo São Miguel, têm o sotaque mais difícil de todos. Ao fim de alguns meses, o ouvido habitua-se.

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